sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Minho, servo de Deus, até breve!

“Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá;” (João 11:25)

Jaimeson Tomaz Barreto
14/12/1978 à 08/01/2011

No dia 15 de novembro de 2010, às 19h, na rua das Pernambucanas, número 167, bairro das Graças, ouvíamos atônitos e tristes a notícia: É leucemia!

Naquele dia, lágrimas de medo vieram aos nossos olhos, nosso coração se atemorizou, fazia menos de um ano que nós havíamos perdido nossa prima Cristine, que foi ceifada aos seus 24 anos por este mesmo tipo de doença, e agora esta notícia nos trazia a memória a dor e a perda.

Agora um jovem forte saudável e atleta. Um servo do Senhor, uma pessoa que não media esforços para ajudar os outros, muito menos para mostrar a todos o amor que sentia pelo seu Salvador, Jesus Cristo. Este jovem, um dos poucos bateristas que conseguem tocar, cantar e ainda ministrar o louvor, um músico como poucos, ele estava deitado em uma cama recebendo da médica esta notícia.

Naquele dia ele olhou para a médica e lhe falou calmamente: “quando a gente está bem a gente precisa confiar em Deus e quando nós estamos doentes, também precisamos confiar em Deus”.

Nos dias que se seguiram seu quadro de saúde foi rapidamente se agravando, transferido para o hospital Santa Joana, onde foi logo encaminhado para a UTI, no dia 18 de novembro, a enfermeira tensamente nos informa: o quadro dele piorou, piorou muito, enquanto o removia na maca, com uma máscara de oxigênio para realizar nele uma tomografia.

Novamente o medo e a dor nos tomaram, seria Minho protagonista da mesma novela vivida por Cristine?

Neste período na UTI sua esposa descobre que estava grávida de 2 meses, e diz a ele, que ao saber quase pula da maca onde estava todo entubado.

Após intensa oração e comoção de várias igrejas, doações de sangue que chamaram a atenção da assistente do serviço social do HEMOPE, Deus ouviu a nossa oração, e de maneira muito especial a oração de sua esposa que orara: “Senhor me dá a chance de poder escutar o meu marido novamente Te louvando”.

Duas semanas depois o paciente Jaimerson Tomaz Barreto, carinhosamente conhecido por todos que conviveram com ele por Minho, saia da UTI e era transferido para um quarto da unidade de terapia semi-intensiva, onde a médica ao ver os resultados dos exames, animada explicava que seu estado de saúde estava melhorando a cada momento. Depois de mais de um mês ele voltaria para a UTI de onde não sairia mais.

A história de Minho terminou no dia 8 de janeiro de 2011, depois de ter falência renal, hepática respiratória e hemorragia no pulmão, ele veio a falecer.

Passei quase uma semana pensando sobre o que escrever. Escreveria sobre a vida de Minho que viveu de modo digno da vocação ao qual foi chamado? Escreveria sobre a dor de sua mãe e de sua esposa, mulheres a quem Deus tem sustentado de uma forma humanamente inconcebível?

Não tenho vontade sobre escrever nada.

Mas a palavra de Deus e o Seu grande amor tem me constrangido a escrever algo, a relatar nestas páginas de internet que talvez uma ou duas dezenas de pessoas apenas leiam que a vida deste servo de Deus não terminou, que ele assim como outros grandes homens de Deus, homens que a Bíblia diz: “dos quais o mundo não era digno”, a vida dele continua agora ao lado dAquele a quem ele mais amava, o Senhor Jesus. Minho encontrou agora a razão de todos os seus 32 anos e 23 dias de vida.

Deus deu a oportunidade a ele de durante mais de um mês fora da UTI, louvá-Lo, conforme sua esposa havia pedido, de buscar a Deus mais ainda, de testemunhar, de glorificar o precioso nome de Jesus. Durante este período Minho falou e ouviu de tantos, mas principalmente de sua mãe e esposa o quanto ele era amado. Ele teve a oportunidade que talvez nem e nem você que lê este texto agora tenhamos.

Minho passou desta vida para a vida eterna, ele se encontrou com os apóstolos Paulo e Pedro, se encontrou com Barnabé, com Davi, com Sansão, Abraão, Isaac e Jacó, com Jó, com Enoque, com Elias, Daniel e seus três amigos, com Eliseu, com Salomão, com Abel, com José, com Maria, com Rute, com Noé, com Jeremias, e ainda com Agostinho, com Matinho Lutero, com Calvino, com Jonathan Edwards, mas de todos os encontros o que mais lhe agradou foi o com o Senhor Jesus, o seu Rei. E pensando neste encontro, penso em Jesus o recebendo com um forte abraço, um beijo no rosto, e um passar de mãos pelos olhos que lhes enxugou toda a lágrima, lágrimas das quais ele já nem se lembra mais de porque as derramou.

Pensando nisto começo a ansiar por este momento também em que terei a morte na minha frente, ela debochando, me golpeia. Depois ela autoritária e soberba falará este é o seu fim. Mas eis que por cima dela, e de mim, Cristo Jesus, a humilhando, a ordena: afasta-te! Pois este é meu, e Jesus segurando a chave da vida em sua mão direita, a expulsa da minha presença. A morte vencida se retirará para nunca mais eu a ver, e eu irei e encontrarei a todos quantos Minho já encontrara, e a ele também encontrarei.

Para findar este texto, quero lhe dizer que há uma certeza em nossas vidas e esta certeza é de que enfrentaremos a morte um dia. Dou graças a Deus porque assim como Minho, tenho o passaporte para a vida eterna, Jesus, o meu salvador, mas e você?

Não perca tempo, entregue agora a sua vida a Jesus, reconheça-se total e plenamente carente de Sua graça, confie nEle como seu salvador, pois só através dEle, teremos a vida eterna.

Deus o abençoe!

9 comentários:

Aderval disse...

Texto precioso, Samuel... concordo com você... a morte nos assusta, pois não fomos criados para morrer, mas só em Cristo Jesus temos segurança de que passaremos - e apenas passaremos - pela morte. A morte para o cristão nada mais é do que uma passagem... uma passagem para o encontro que todo cristão autêntico anseia de todo coração: o encontro com nosso Salvador!

Anne disse...

Samuel naquele mesmo dia que Minho foi levado nos braços do pai, um problema familiar muito triste aconteceu no Piauí, e então eu conversando com Marcelo cheguei a me perguntar: porque pessoas como Minho tinham que ir, e pessoas tão ruins tinham que ficar!
Mas agora depois de ler o seu post eu entendi: Minho era uma das pessoas "dos quais o mundo não era digno".
Oro a Deus que abençoe ricamente Suênia e o seu bebê, e também a mãe de Minho.
Bjos

Anne disse...

E sabe de uma coisa Samuel: nós realmente não somos cidadãos desse mundo! Aqui não é o nosso lugar! Mas enquanto estivermos aqui, temos que andar de modo digno! Viver para a glória de Deus!!

Flor disse...

Lindo texto, me fez refletir a respeito da morte de uma forma mais intensa no que se refere a "morrer é lucro".

Me permite encaminhá- lo para algumas pessoas?

Alan Kleber Rocha disse...

Samuel,

O nosso conforto é exatamente este que você acabou de compartilhar conosco. A Bíblia diz que se vivemos, somos do Senhor, se morremos também somos dEle!

Continuamos orando por toda a família!

Alan, Adriana e Esterzinha

Samuel Lyra disse...

Flor, fique a vontade para encaminhá-lo a que você desejar.

E que a mensagem de Deus possa impactar os corações para a glória do nome de Cristo.

Ana disse...

Samuel Lira
Só mesmo Deus para conceder palavras tão sábias para falar de MINHO neste Blog. É impossível não chorar ao ler o texto. Quem como eu teve pouco tempo, mas o enorme privilégio de conhecer MINHO, pode ser grato a Deus pelo homem que Ele colocou no mundo e fez, através da sua imagem e semelhança, Sua luz brilhar diante das pessoas de quem ele se aproximava. Minho das poucas vezes que entrou em minha casa, que almoçou ou jantou trouxe, com o seu jeito doce de ser, a sabedoria divina ao meu coração. Da última vez que aqui esteve pegou o violão tocou "Aquarela do Brasil" e depois, uma outra música que ele fez pra sua esposa Suênia quando a conheceu. Que Deus conforte os nossos corações nesse momento de dor e fraqueza que perdurará por muito tempo. Porém, creio que o nosso conforto maior é saber que a morte para aqueles que crêem em Cristo Jesus é lucro. Logo, eu posso afirmar com convicção que Jaimerson , o nosso querido MINHO, está no lucro. Tenho certeza que ele está orando e suplicando para que nós enquanto vivermos aqui na terra possamos agir e dar o exemplo que ele tanto nos mostrou e compartilhou conosco.
Finalizo citando: "ser amigos é pra sempre como eterno é o nosso Deus, como amigos nós diremos: Até breve e não adeus."

André Lyra disse...

Samuel, dou graças a Deus pelas suas palavras. Também fui um dos que tiveam o privilégio de viver pouquíssimos momentos com MINHO porém, nem por isso pude deixar de perceber que dele emanava espiritualidade, que seus lábios estavam cheios de amor e do poder de Deus, que sua vida (mesmo breve) já estava repleta de experiências profundas com Deus. A vida de MINHO (mesmo quando ainda conosco) mexeu comigo! Me fez refletir como tenho sido pouco solícito para o trabalho no reino e já me provocou mudanças! Glórias a Deus pois Ele usa a todos e porque nos prometeu estar com Ele um dia! Mantenhamos firme a esperança na glória! Suênia e herdeiro, força no amor de Deus! Seu testemunho de força no Senhor já tem chegado até nós!

Soraia Cardoso disse...

Samuel,

Aqui é Soraia, esposa de Francisco, que foi pastor da Primeira, lembra? Através de meu irmão, eu sabia da situação do marido de Suênia. Eu e Francisco ficamos tristes e compadecidos deste momento tão didícil. Mas só hoje, mais de uma semana depois, tomei conhecimento do que aconteceu atravês de seu blog. Como eu tinha pensado neles durante a semana e orado, resolvi, do nada, procurar saber sobre o estado de seu cunhado, que eu nem conhecia.
Meu irmão, transmita a Suênia nossos mais profundos sentimentos. Não consigo dimensionar o tamanho da dor e da perda, mas sei que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Cito agora um trechinho das institutas de Calvino, que me consolou e consola nas horas de tribulaçã: "Qualquer que seja o tipo de tribulação pela qual somos afligidos, deveríamos sempre considerar que o objetivo dela nos sobrevir é sermos treinados a desprezar o futuro,e consequentemente, a desejar a vida futura." (Isnt. 3.9.1)
Conte com nossas orações.
em Cristo,
Soraia Cardoso e Francisco, Ana Clara, Bernardo e Catharina